quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Grãos

Picasso
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É o desconhecido,  regente de uma orquestra silenciosa,  quem invade as fibras que tecem as várias camadas de cascas que vamos criando por sob o núcleo.

O tempo leva para longe, assim como grãos de poeira, os significados mais preciosos de outrora. Quem tanto te fez sorrir, hoje já não mais é capaz de trocar duas palavras sinceras. Quem tanto te fez chorar, já não mais amanhece colado ao coração quando se desperta. Alguns desenlaços causam dor; outros vão lentamente se extinguindo feito chama que se apaga com o tempo.

Tudo se ressignifica. Devemos dar adeus na partida? Saudações na chegada?

Se pousarmos os olhos no mar e ali  permanecerem estáticos, nada parece se modificar. Mas a lua sabe que a maré muda conforme seu olhar; seu humor dita os redemoinhos profundos que o movimentam.

Tudo se modifica lentamente. Às vezes tão devagar, que nem sentimos. Mas assim que os olhos se abrem no susto, os grãos que compõe a areia debaixo dos nossos pés, não são os mesmos.

No instante em que constatamos a mudança lenta e gradual, não devemos nos assustar. A nostalgia só nos levará ao beco das situações não resolvidas. Há de se parar e respirar o novo ar! E deixar que os novos grãos de areia façam graça em nossos pés. E rir do vai e vem contínuo e previsível do mar. Se encantar com seu azul, e sorrir, sorrir até enjoar!

Neste momento, em que sinto meus pés rirem, constato que não os mesmos grãos de outrora, percebo o desconhecido à minha volta. São vários. Me oferecem partículas de amor cheias de luz, alimentam-me com novos nutrientes.

São fatídicos ou reflexivos, são precoces ou sombreados, são simples ou engraçados. São mais que presenças ou adjetivos. São novos amigos que a vida oferece, os novos grãos nos pés fazendo graça, novos significados que se abrem como flores na primavera.

E os antigos? Talvez permaneçam em algum lugar e voltem, talvez voem para bem longe, não importa.

O que importa realmente, é se ainda há a capacidade de abrir frestas enluaradas, para que olhos curiosos e carinhosos, espiem. E se chegam ao núcleo, se decifram meio sorrisos ou olhares na foto, se decifram sonhos por detrás de singelas palavras, são capazes de adentrar por completo.

Estou aqui. Metade de mim, é o que vivi, os que amei, os que ainda amo e tiveram ou ainda possuem seu significado. Mas a outra metade é uma imensa fresta, esperando para que mil olhos me leiam e adentrem.

Sou toda imensidão à espera de novas imensidões a me penetrar, para então assim, compor um novo universo a desvendar.

Se sou o que sou, é por ter abrigado tantos em mim.

Ao longe, a orquestra silenciosa toca uma melodia de amor. O mesmo amor, que se manifesta de tantas e maravilhosas formas.

Só sente, quem é céu aberto de estrelas.

Sente?
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Dedico ao desconhecido, esta maravilhosa orquestra a reger nossos corações! À Alisson da Hora, quem soprou as primeiras palavras deste texto, e aos outros "desconhecidos" que assim como ele, hoje compõe meu céu de estrelas, Alexandre Nunes, Ronaldo Coelho, Gustavo Mazzarão e ao Leandro Novellino.
Obrigada por tamanha amizade e chuva de alegria que todos os dias me ofertam generosamente.

4 comentários:

  1. Eu que te agradeço, por ser um grão na minha vida, também...

    beijos grandes

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  2. Lindo,lindo,lindo..
    Por que será que eu me identifiquei tanto?
    Orgulho sempre.

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  3. Camila,
    Eu agradeço pelo teu carinho, você está em meu coração, continue sempre assim.
    Grãos, lembram experiências de vida e momentos virtuais que fortalecem tal relação de afeto.
    Igualmente, quero declarar um verso que chamou a atenção no teu texto:
    "Se sou o que sou, é por ter
    abrigado tantos em mim".
    Por isso, espero que tenha um excelente dia e com Deus te concedendo bênçãos em tua vida!

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